Textos Reflexivos

O Guruísmo

Ao longos dos últimos anos no ocidente a cultura do guruísmo vem crescendo em todos os lugares em diversas religiões. O nome guruísmo é uma apologia e uma critica minha em relação da influencia da cultura Índiana, através de adoração dos lideres espirituais orientais, que sempre reaparecem de décadas em décadas no mundo ocidental.

 

Nós já tivemos varias influências boas de alguns bons exemplos de lideres respeitosos, mas tivemos também os lideres falsos que deixaram sua marca negativa sobre o conhecimento espiritual da Índia, que merece respeito apesar desse modismo.

Devido a nossa influência cristã a projeção de um salvador da humanidade, faz com que as pessoas projetem suas carências de Deus em outro ser humano falível e frágil, porque são apenas pessoas comuns como todos nós, que podem ter algum conhecimento, mas isso não o faz especial ou melhor do que ninguém. Se tornar uma inspiração não quer dizer que você deva ser adorado, alias tirarmos atenção do Supremo Criador, é muita pretensão. 

Esse modismo espiritual é altamente prejudicial aos buscadores espirituais, pois elas se tornam cegas, esquecendo-se da sua própria essência divina, deixando de si auto-aprimorar, enquanto individuo e como ser espiritual, alimentando o desejo de outros de se sentir especial e adorado. Ninguém salva ninguém, cabe cada um fazer a sua parte, a evolução vem das mudanças de nossa forma de pensar, pois a conveniência é perniciosa e vulgar.

O estereotipo do Guru criado no mundo é uma brincadeira de mal gosto, a forma de falar mansa, as palavras curtas e vazias, roupas angelicais, carinhas de santo para fotos, ninguém é assim, sabemos porque somos humanos.

Se uma pessoa não expressa seus sentimento, não chora, não rir, não demonstra sentimento e emoção, corra pode ser um psicopata desfaçado, nestes meios espirituais são muito comuns. Criam os eventos caros para apresentar soluções mirabolantes para a felicidade alheia, com apresentações em publico criando um espetáculo espiritual com lucros de oportunistas. 

A situação é tão hilaria que o filme o GURU DO AMOR, relata de forma cômica uma situação extremamente séria, mas que depois de tantos gurus indianos surgindo na década de 70 a situação ficou pior na era hippie. Como os americanos não perdem tempo em tirar um sarro das outras culturas, não seria diferente depois de Osho, Marahish, Sai Baba, etc. O grande mestre como Paramahansa Yogananda sofreu muito preconceito quando foi para a America do Norte, mas ele honrou sua postura ético e moral diante de uma sociedade materialista e preconceituosa. Yogananda não possuía bens materiais e nem gozava de regalias oferecidas por seus alunos, muito contrário permaneceu sua postura e idônea contrariando aos seus críticos e algozes. Mesmo assim, sofreu forte perseguição.

 

A maior problemática é quando aparecem os que se auto intitulam iluminados, criando novas soluções para a humanidade, trazendo algum livro duas vezes maior do que a bíblia cheio de dogmas e versos iguais aos que já existem em tantas outras religiões, como se trouxessem a salvação da humanidade. O falso guru ou guruísta adora o poder, adora a luxuria, a vida mundana lhe atrai, gosta de tudo que é inútil e fútil.

 

Aos buscadores sugiro que se deseja seguir alguma senda filosófica espiritual aconselho conhecer seu fundador de perto, veja se não passa de uma ilusão se seu conhecimento é original e verdadeiro se ele faz uso de tal conhecimento para seu desenvolvimento espiritual e se faz sentido ou tenha resultado real para seu crescimento espiritual. O orientador espiritual tem por essência a prática da meditação, sem a meditação a sua conexão espiritual fica prejudicada, pode haver interferência e suas mensagens se tornam confusas e contraditórias. 

Os holofotes são bem atraentes para os guristas, gostam de destaque para atrair seguidores, que irão retroalimentar seu ego criando uma relação de interdependia do ego, o que é muito perigoso para as relações pessoais. Portanto, caro buscador tenha bastante cuidado seja bastante criterioso, veja se não está entrando num jogo de interesses desproporcionais para não ser escravizados em prol de um ego inflado.

 

O orientador espiritual doa sua vida pelo bem, ajuda as pessoas socialmente e pessoalmente e nada cobra por isso, nem faz barganha, nem troca de  favores, respeita a liberdade, a opinião, os limites de cada pessoa, as escolhas, o momento de cada um, enfim não elimina a individualidade. O que possui foi prova de sua dedicação, e nunca negará o conhecimento a quem realmente precisa, e ele saberá por instuição a missão de cada um, se seu orientador não tem tal profundidade não passa de um erudito, um conhecedor de livros sagrados lhe venderá informações e conhecimentos que de nada servirá para te libertar, além disso não saberá lhe conduzir ao caminho do dharma, pois o objetivo deste erudito é ter dinheiro.

 

Cada um de nós viemos com uma missão, as pessoas precisam descobrir por si mesmas, e não serem manipuladas por outra pessoa, cada pessoa possui uma vida para conduzir. Caso contrario Deus daria a cada um de nós mais de uma vida na mesma encarnação para cuidarmos, já que uma vida apenas não seria suficiente. Devemos adoração apenas a um Ser Supremo, O Criador de todas as coisas, Brahamam Paramam.

Namaskar

Bhavaraja

Fé e Fanatismo

Acreditar em algo não é tão simples, principalmente quando se trata de crer em algo invisível aos olhos. Muitas pessoas dizem ter fé, mas não sabem distinguir a fé cega e a fé racional. A fé cega promove milagres e frustrações na mesma qualidade, geralmente praticada por religiosos fervorosos ou por fanáticos que procuram neste tipo de fé um alivio para a sua insegurança e medo da morte. A fé racional ela se baseia num propósito e nos fatos, ela se alimenta da auto-estima e da convicção cientifica através da empiria, muitos cientistas se tornaram pessoas de fé apenas pelas evidencias estudadas no universo. Enquanto que no fanatismo a crença se baseia num livro sagrado, ou nas aparições e histórias religiosas, sem nenhuma confirmação cientifica de que realmente existiu. Imaginem agora, se descobrissem que a bíblia e Jesus foi inventado pela igreja católica, apenas para manipular a fé das pessoas? O que não é descartado por completo, mas já pensou no desespero religioso e na crise religiosa que existiria na terra por causa disso? Isso mostra na fragilidade que tem esse tipo de fé.


Devemos ser inteligentes e conscientes, procurando compreender o motivos que nos leva a ter fé e o motivo que leva a desaparecer a medida que as promessas e os milagres deixam de acontecer. Existe uma relação de troca e expectativa na fé cega, quantas pessoas não castigaram o seu santinho, por não consegui o que desejavam, quantas não quebraram suas promessas depois de ter alcançado seus objetivos.


O fanatismo leva a insanidade moral e religiosa, pois não existe senso critico para separar a realidade do irreal, ou seja, para praticar uma atrocidade em nome de Deus não seria difícil. Nós temos exemplos históricos que descrevem guerras e assassinatos em nome de Deus.

 

O pior dos fanáticos são os que buscam se aproveitar de circunstâncias particulares dentro de alguma sociedade, se submetendo aos caprichos alheios em troca de favores, em outras palavras, são incluídos numa sociedade em troca de emprego e status e de favores que não tem limites, exigindo o silêncio diante de verdadeiros crimes até aceitar ser manipulados envolvendo os filhos e amigos, etc.. Esse tipo de sociedade está fadado a ruir levando consigo seus participantes, pois o principio básico da moral já foi corrompido.


O indivíduo ateu está mais próximo de Deus do que os mais fervorosos, pois a negação de Deus tem a possibilidades de levá-lo a descobrir o caminho da fé verdadeira, através da razão. A falta de personalidade e carência leva as pessoas aderirem cada dia mais a religiosidade de forma compulsiva, mas como é de costume a conveniência fala mais alto.


A conveniência religiosa é um jogo de favores, que gera uma interdependência coletiva aniquilando a individualidade das pessoas, onde você não pode expor seus pensamentos, que estejam em desacordo com o meio o qual faz parte, porque isso pode levar a punições, perseguição e exclusões, perda de emprego e outros meios de punição sociais deste grupo como exemplo, para intimidar outros de si rebelarem.


Depois de todas estas reflexões a pergunta é: Você se considera uma pessoa de fé? Se não sabe ainda é bom começar a pensar sobre o assunto, e procurar ver até onde vai a sua fé. O fato é que se sua fé for cega, tem grandes chances de estar caminhando sobre um terreno estéril, mas se sua fé for genuína e racional suas chances crescem para uma compreensão saudável e profunda de Deus, pois ele não esta se importando se você acredita ou não Nele, isso não fará diferença no universo, mas em você sim.
Namaskar
Bhavaraja

O que é uma vida espiritual?

Diante de vários temas sobre uma vida espiritual e suas definições e fundamentos religiosos,  talvez muitos estejam indo na direção errada, na verdade muitas pessoas tem uma ideia, mas se perguntamos se elas se setem felizes mais da maioria dirá que não. Será que esta realidade está longe de acontecer, ou será que o conceito de vida espiritual está ultrapassado? A questão é o que cada um busca, quando falamos de vida espiritual? 

O individuo socialmente inserido e religiosamente bem atendido, pode dentro da sua realidade se dizer autorealizado, ou ainda existem questões que ainda o afasta do seu objetivo, deixando a deriva da sorte e da sua devoção religiosa. Sabemos que o fato de fazermos parte de uma sociedade espiritual ou religiosa, não resolve os nossos problemas pessoais, familiares, ou sociais. 

A capacidade de transcender aos conceitos e padrões religiosos se tornam uma barreira, mas quando o assunto é autoconhecimento as coisas mudam de figura, essa é  a chave para todos nossos problemas. A dificuldade de lidar consigo mesmo é o maior desafio do individuo em aceitar como ele é, e não ter medo de não ser aceito nos grupos.

Neste ponto crucial todas as religiões e filosofias se esbarram, não obtendo respostas salutares para os maiores problemas da humanidade, que é a falta de consciência de si mesmo e da autoaceitação.  Então vamos colocar a  culpa no diabo, na maldição, na cruz, na colonização, nas religiões afro, no pecado, enfim, em algo que eu também não possa lutar nem resolver, assim matemos tudo num verdadeiro dilema de vida de conflitos e dúvidas, retro alimentando nossos padrões.

Desta forma caminha a humanidade, com perguntas sem respostas e respostas sem fundamentos, mas continuamos sem muitos objetivos nem tanta certeza de nada. Acreditando naquele que não temos certeza existir, para não deixarmos de pensar no amanhã, como uma possibilidade positiva, ou esperançosa de que um dia essa busca chegará ao fim.

A insegurança e o medo de descobrimos equívocos em nossa própria fé é tão grande, que muitos fieis se negam a pensar na possibilidade de estarem enganados, o medo de debater assuntos lógicos da compreensão humana é tão grande que é melhor enxergarmos tudo como verdade indubitável e inquestionável, mesmo que as controvérsias as denunciem como erros de interpretação ou até mesmo de tradução das antigas escrituras.

A lucidez faz parte da fé, e não é negado o que não sabemos explicar ou afirmarmos verdades falsas que iremos alcançar a consciência espiritual, mas de aceitarmos que uma fé sem base não sustenta uma vida espiritual saudável e sólida, onde é mais fácil negar as verdades como mentiras, pois uma vez acreditando ela se torne verdade, eis que a corrupção começa quando pensamos que engamos a nossa consciência. Onde iremos chegar com o nosso caminho espiritual?

Namaskar

Bhavaraja

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